sáb. dez 4th, 2021
Brasil fez 2% dos testes de Covid-19 dos 24 milhões previstos

Um grupo de pesquisadores japoneses afirma que a variante Mu do coronavírus apresenta alta resistência aos anticorpos induzidos pela vacinação.

O grupo liderado pelo professor associado Sato Kei do Instituto de Ciências Médicas da Universidade de Tóquio publicou suas descobertas no The New England Journal of Medicine.

Os pesquisadores geraram um vírus artificial com características da variante Mu e avaliaram sua sensibilidade a anticorpos em amostras de sangue obtidas de pessoas que receberam a vacina Pfizer-BioNTech.

Eles dizem que os resultados mostraram que a variante Mu era 9,1 vezes mais resistente do que o vírus parental, sugerindo que os anticorpos são menos eficazes contra a variante.

O grupo diz que as vacinas têm vários efeitos além da produção de anticorpos, e mais pesquisas são necessárias para avaliar como a eficácia da vacinação é afetada.

Sato diz que o coronavírus continuará a sofrer mutação. Ele acrescenta que é importante estabelecer um mecanismo para identificar as características do vírus e compartilhar as informações internacionalmente.

A variante Mu, foi classificada pela OMS, como uma variante de interesse (VOI). Esse termo significa é que a Mu tem diferenças genéticas em relação a outras variantes conhecidas e está causando infecções em vários países, portanto, pode representar uma ameaça específica à saúde pública.

Uma variante de interesse (VOI) não é uma variante de preocupação (VOC), que é uma variante que comprovadamente adquire uma dessas características, tornando-a mais perigosa. A Mu está sendo monitorada de perto para ver se deve ser reclassificada como uma VOC. Temos que esperar que não.

Existem quatro outras VOIs sendo monitoradas pela OMS — Eta, Iota, Kappa e Lambda — mas nenhuma delas foi reclassificada como VOC. Isso pode acontecer também com a Mu, mas é preciso aguardar mais dados.

O que torna Mu particularmente interessante (e preocupante) é que ela tem o que a OMS chama de “constelação de mutações que indicam propriedades potenciais de escape imunológico”. Em outras palavras, tem a marca de ser potencialmente capaz de driblar a proteção da vacina existente.