ter. jun 22nd, 2021
Falta de emprego no Japão faz agente de viagens se reinventar para enfrentar a crise
Falta de emprego no Japão faz agente de viagens se reinventar para enfrentar a crise
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A pandemia do coronavírus fechou diversas fronteiras pelo mundo, a rota Brasil – Japão foi uma das canceladas e fez com que agências e empresários que  recrutavam trabalhadores para o Japão, ficaram sem renda e tiveram que buscar alternativas neste momento de isolamento social.

Desde que começou a imigração de brasileiros no Japão, cerca de 30 anos, essa é a primeira vez que afeta drasticamente a ida de brasileiros para o Japão. O governo nipônico proibiu a entrada de estrangeiros vindo de 73 países, entre eles, o Brasil.

Falta de emprego no Japão faz agente de viagens se reinventar para enfrentar a crisePara se adaptar diante da situação, o agente de viagens que trabalhava enviando trabalhadores ao Japão, Paulino Nobuyuki Matsubara, 48 anos, de Campo Grande (MS), teve que se reinventar como muitos, já que perdeu sua renda no setor em que atuava.  A ideia foi abrir um drive-thru de espetinho.

O empresário conta que era agente de viagens, depois de um tempo abriu a própria empresa que recrutava descendentes de japonês para trabalhar no país asiático. “Eu tinha contrato com empresas japonesas, então eu recrutava e fazia toda a ponte até o embarque dessas pessoas para o Japão. No começo de abril fui avisado que as fronteiras do país seriam fechadas, ninguém mais ia entrar ou sair de lá”, conta Matsubara.

Neste momento, o empresário se viu sem nenhuma renda. Ele explica que tentou empréstimos, ajuda governamental, mas ficou sem nenhum tipo de receita. “Minha esposa estava em casa cuidando da nossa filha e todo nosso rendimento vinha da empresa. Começamos a pesquisar o que fazer e resolvi entrar no ramo de espetinhos”, explicou.

Segundo Matsubara, antes de criar o empreendimento ele pesquisou e fez um plano de negócios. Em parceria com a Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) conseguiu elaborar um foder para divulgação do empreendimento. Há dez dias colocou em prática as vendas em frente a sua residência, localizada no bairro Morada Verde, região do Coronel Antonino, em Campo Grande.

Falta de emprego no Japão faz agente de viagens se reinventar para enfrentar a crise“As pessoas entram em contato pelo whatsapp, fazem o pedido e depois só vem retirar. Por causa do coronavírus não estamos servindo no local”, disse o empresário que afirmou que aposta no diferencial do produto para ter sucesso. “Estamos começando, mas já tem vindo gente de outros locais para consumir nosso produto. O diferencial é que entregamos em embalagem térmica, tudo bem armazenado, por R$ 5. Temos espetinho de carne, molho de alho especial, caldo de feijão para os dias frios e a opção de yakitori, um espetinho de frango com tempero agridoce”, explicou Matsubara.

De acordo com o empresário a expectativa é conciliar as duas coisas no pós-pandemia. “Quero continuar fazendo as duas coisas, com o recrutamento de trabalhadores e com os espetinhos também. A gente começa a ver muita coisa que não via dentro de casa, hoje percebo tanta coisa trabalhando para o lado de fora. Tem muita gente nas ruas, inclusive passando fome, a gente ajuda como pode”, concluiu Paulino Matsubara.


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